FIEB e Governo da Bahia se posicionam contra tarifa de 25% imposta pelos Estados Unidos a produtos brasileiros

A Federação das Indústrias do Estado da Bahia (FIEB) e o Governo da Bahia divulgaram de maneira conjunta, nesta sexta-feira (24), uma nota manifestando preocupação com a decisão dos Estados Unidos de aplicar uma tarifa adicional de 25% sobre parte dos produtos brasileiros exportados para o mercado norte-americano. As instituições alertam que a medida pode provocar prejuízos para a indústria nacional, reduzir a competitividade das empresas brasileiras e afetar a geração de emprego e renda.

Em sua manifestação, a FIEB destacou que o aumento das tarifas representa um obstáculo ao comércio internacional e pode comprometer setores estratégicos da economia baiana e brasileira. A entidade defendeu o diálogo diplomático e comercial entre os dois países como caminho para superar os impasses e preservar as relações econômicas construídas ao longo dos anos.

Já o Governo da Bahia ressaltou que acompanha com preocupação os impactos da medida sobre a atividade industrial e o setor exportador. A gestão estadual defendeu a adoção de iniciativas que garantam a proteção dos empregos e a manutenção dos investimentos produtivos, especialmente em estados com forte presença industrial como a Bahia.

As manifestações ocorrem após a entrada em vigor da nova tarifa anunciada pelo governo do presidente Donald Trump, medida que atinge uma parcela das exportações brasileiras para os Estados Unidos e tem mobilizado representantes da indústria, do comércio e do poder público em todo o país.

Segue nota na íntegra:

O Estado da Bahia e a Federação das Indústrias do Estado da Bahia (FIEB) vêm a público manifestar, conjuntamente, sua firme contrariedade à tarifa adicional de 25% imposta pelos Estados Unidos a produtos brasileiros, em vigor a partir de 22 de julho de 2026, como desfecho da investigação conduzida sob a Seção 301 do Trade Act de 1974. Trata-se de medida unilateral que penaliza relações comerciais construídas ao longo de décadas, atinge cadeias produtivas integradas entre os dois países e transfere – de forma arbitrária e sem justificativa plausível – seus custos a trabalhadores, empresas e consumidores, ferindo os princípios da economia de mercado defendida pelos EUA.

Adicionalmente, manifestam profunda preocupação com a nova tarifa consignada pelo governo do presidente Donald Trump anunciada ontem (23 de julho de 2026), no âmbito de um novo tarifaço global voltado a cerca de 60 parceiros comerciais sob a justificativa de fiscalização insuficiente de trabalho forçado. Nessa nova medida, o Brasil foi enquadrado na alíquota máxima de 12,5%, acumulando novas sanções comerciais que se somam aos 25% já vigentes.

Para a Bahia, o impacto é direto e mensurável. Com base nas exportações de 2025, US$ 273,1 milhões permanecem sujeitos à tarifa, o que corresponde a 33,2% dos US$ 821,4 milhões exportados pela Bahia aos Estados Unidos no ano, cerca de 1/3 da pauta. Pela classificação setorial oficial, a medida é uma tarifa sobre a indústria baiana, concentrada em três cadeias que respondem por quase 90% do valor afetado: papel e celulose, borracha e plásticos e produtos químicos.  De acordo com os dados da pauta de 2025, 33,2% da pauta está tarifada, com teto estimado em 40,4%, consideradas as condicionantes previstas em parte das isenções, cuja aplicação depende do uso declarado do produto. Além disso, tem efeito significativo sobre as exportações da cadeia de calçados e couro, grande geradora de empregos no interior do estado.

Apoio à negociação e pleitos prioritários

Estado da Bahia e FIEB manifestam integral apoio ao Governo Federal na condução das tratativas diplomáticas e técnicas com os Estados Unidos e defendem que a via negociada permaneça como caminho prioritário para a superação do impasse. Nesse esforço, apresentam como pleitos prioritários da Bahia:

  • a reinclusão da celulose solúvel (HTSUS 4702.00.00) na lista de isenções, dada a sua condição de principal produto da pauta baiana, a incoerência de seu tratamento diante da isenção concedida às demais celuloses e o prejuízo já verificado nas exportações do produto;
  • a inclusão dos pneumáticos e dos produtos químicos e petroquímicos do polo industrial de Camaçari nas próximas rodadas de negociação para a lista de exceções, segmentos intensivos em investimento e emprego cuja perda de mercado já está demonstrada nos dados de 2025, bem como a adoção de medidas para a proteção do mercado interno desses setores, tais como a aplicação de alíquotas de importação e antidumping para produtos petroquímicos e estabelecimento de preço de referência para pneumáticos;
  • a preservação das isenções já conquistadas, que alcançam cadeias relevantes para o estado, como celulose branqueada, cacau e derivados, combustíveis, fruticultura irrigada e café.

Compromisso conjunto

O Estado da Bahia e a FIEB atuarão de forma coordenada e permanente na defesa da indústria baiana, com base em evidências técnicas e em diálogo constante com o setor produtivo. O objetivo comum é preservar mercados construídos ao longo de décadas de investimento e trabalho, proteger empregos e renda e apoiar o Governo Federal na busca de uma solução amigável, célere e duradoura.

Para fortalecer esse trabalho, as empresas afetadas são convidadas a comunicarem ao Estado da Bahia e à FIEB os efeitos da medida sobre pedidos, contratos, produção e empregos. Essas informações compõem a base de evidências que sustentará os pleitos da Bahia nas negociações.

Jerônimo Rodrigues

Governador do Estado da Bahia

Carlos Henrique Passos

Presidente da Federação das Indústrias do Estado da Bahia

Redação Mercado e Política

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